Sabe quando você está passando o dedo pela tela sem prestar muita atenção e, de repente, um vídeo faz você parar?
Foi assim que eu conheci os vulcões da Guatemala.
Vi um produtor de conteúdo de viagem subindo um vulcão e, lá de cima, assistindo a uma explosão de lava acontecer bem diante dele.
Eu nem sabia que aquilo era possível.
Era perigoso? Onde ficava? Como fazia para chegar lá? Socorro, eu precisava viver aquilo.
Então fiz o que eu, como consultora de viagens, mais faço na vida: fui pesquisar.
Descobri que aquela trilha já era bastante famosa. Ela só não era tão conhecida aqui no Brasil. Entre viajantes americanos, europeus e latino-americanos, a subida ao Acatenango já despertava enorme interesse.
Tudo começou com os vulcões da Guatemala
Também descobri que a história não era exatamente como eu havia imaginado.
Você não sobe um vulcão ativo para assistir às erupções do alto dele. Você sobe o Vulcão Acatenango para observar, de frente, o Vulcão Fuego. É o vizinho que entra em erupção enquanto você assiste a tudo do outro lado.
E os relatos quase sempre traziam as mesmas duas informações: que era incrível e extremamente exaustivo.
Naquele momento, eu já sabia: a Guatemala tinha que entrar na minha listinha.

Muito além dos vulcões: o país que a pesquisa revelou
Só que, como acontece com quase toda viagem que faço, ela não parou na primeira ideia.
Depois de muita, MUITA pesquisa mesmo, o vulcão deixou de ser o único motivo para conhecer a Guatemala.
Isso porque descobri um país fascinante.
Mais do que vulcões, encontrei cidades coloniais, lagos cercados por montanhas, comunidades maias que preservam tradições há séculos, mercados coloridos, sítios arqueológicos, florestas e uma riqueza cultural que eu jamais imaginaria encontrar reunida em um território tão pequeno.
Eu sempre fui nerdizinha de geografia. Sabia localizar a Guatemala no mapa, ali entre o México, com Belize do ladinho.
Olha… vai sair uma viagem top por aqui, hein!
E é isso, quando dei por mim, eu já não estava planejando subir um vulcão. Eu estava planejando conhecer a Guatemala.
As pesquisas me preparam muito bem para essa e todas as viagens que faço.
Elas me disseram que eu encontraria um povo acolhedor, uma gastronomia deliciosa, paisagens impressionantes e um custo-benefício que fazia muita diferença.
E estavam certas. A Guatemala foi tudo isso.
Mas foi também uma surpresa.
Antigua Guatemala: a cidade colonial que pede mais de uma noite
Porque, por mais que eu tivesse pesquisado, nenhuma foto conseguiu transmitir a sensação de caminhar pelas ruas de Antigua.
Antigua não foi feita para ser vista com pressa.
É uma cidade colonial pequena, charmosa, cercada por vulcões, e muita gente passa apenas uma noite por lá. Dorme, sobe o Acatenango e segue viagem.
Eu fiz diferente!
Antigua é daquelas cidades que fazem você diminuir o passo sem perceber.
Tem cafés deliciosos, comedores onde você come muito bem gastando pouco, ruas de pedra que convidam a caminhar sem destino e vulcões que aparecem a cada esquina, lembrando o tempo todo onde você está.
Se puder, fique alguns dias.
Você não vai se arrepender!

Subida ao Vulcão Acatenango: exaustiva e inesquecível
E, claro, a subida ao Acatenango.
Os relatos não mentiam. É extremamente exaustivo.
Mas existe um momento, lá em cima, em que todo o cansaço desaparece.
Você se senta e fica olhando para o Vulcão Fuego por horas, só esperando ele dar o gostinho da próxima explosão.
Se de dia já é incrível, à noite, então…
É a força da natureza, bruta, em seu estado mais simples, te avisando que ela está ali.



Lago Atitlán: a “Nuestra Abuela” dos maias
Depois do Acatenango, eu achei que a viagem já tinha entregue tudo o que tinha para oferecer.
Eu estava completamente enganada. Ainda faltava o Lago Atitlán.
E talvez tenha sido ali que a Guatemala me conquistou de vez.
Os maias chamam o lago de “Nuestra Abuela”. Nossa avó.
Eu ainda vou contar com calma a história desse lugar, das comunidades maias, das pequenas cidades espalhadas ao redor do lago e da curiosa cidade perdida que permanece submersa em suas águas.
Mas existe um conselho que eu já posso deixar. Não tenha pressa. Pegue uma casinha de frente para o lago.
Passe alguns dias ali. Veja o sol nascer. Saia de caiaque.
Leia um livro. Pule no lago (no lugar certo, pelo amor de Deus).
Converse com as pessoas. Viaje de lancha entre os povoados.
Deixe o Atitlán acontecer.



Por que viajar para a Guatemala vale a pena
A Guatemala foi um sentimento.
Ela não me conquistou apenas pelos vulcões ou pelas paisagens.
Ela me conquistou pelo ritmo, pelo povo, pela barriga (acho que vou virar um abacate ao final da viagem).
Eu fui até lá por causa de um vídeo de poucos segundos. Mas espero que você chegue à Guatemala com muito mais informações do que eu tinha, para viver tudo o que vivi e, quem sabe, descobrir um sentimento completamente diferente do meu. Afinal, é isso que as boas viagens fazem com a gente. A mesma viagem nunca conta a mesma história para duas pessoas.
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